sábado, 25 de novembro de 2017

O que ainda me diz a serra

O que ainda me dizem as araucárias?

O que antes era vivo hoje é tremulo.
Como posso erguer-me em cálido próprio
Quando o dia no céu assim como tudo no peito
Está inexoravelmente morto?
Pelas colinas ecoam as vibrações de vivacidade
Tão inalcançáveis quanto apaixonar-se
Ou ir embora...

O que ainda me grita a vida?
O que é a vida?
Como cabe a ela ser própria a algo
Da qual não foi chamada?
Como cabe a mim ser próprio a
Algo que não me pertence?

O verde ainda uiva
Nos pastos, embora opaco..

E o que me diz o azul
Sobre os sonhos diluídos em instantes
Que gotejam na chuva?
Id e Superego se esfaqueiam de forma enfática
Como dois doutores parnasianos
No pico da consolação.

A vida é boa mas ela é só a cara
E a coroa é o vazio.
O que resta para além do chumbo
É a vontade de potência
Carcomida
Pelo medo (estou com medo)...

Anel de plástico roxo
E eu sei que sou apenas
Diluvio ou morto de sede.
Fagulha inerte ou molécula triste ou
Montanha solitária de martírio
Abaixo do mar dos céus.
Eu sempre gostei de poemas de
Versos longos e lentos sobre a morte...

A inquietação gritava por mim;
A poesia se tornou estagnada
Assim como a vivacidade que me caracterizava
Como um movimento agitado.
A sombra era tremula mas ela tinha vozes.

Estou triste.

O que me dizem as araucárias?
Que o mundo é fluxo sem leito
E só no oco do meu peito
Corre um rio

Eu quero aprender a amar esse rio...

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