quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

A manhã

Surge no céu a Aurora de róseos dedos.
O que antes era chão hoje é mar e é preciso ir além,
                                                     Muito além;
Além do mar violáceo de ondas verdes,
Além da espuma branca, dos corais rosas
             e das tristes flores de água.
Moscas zunem nos meus órgãos, formigas
             rastejam embaixo da minha pele e as
             cobras irrequietas deslizam lentamente
             pelos meus músculos.
Mas para além do medo se fez manhã
E o amanhecer cuspia a vida em uma
             vivacidade assustadora.

O fogo, sempre.
E a minha incredulidade através do mar vinhoso.
As manhãs consomem e geram os dias.
O fogo, sempre. A vida também.
Amanhã talvez.