sábado, 25 de novembro de 2017

Fogo verde

Minha vida jorra pelos meus olhos épicos,
Incendiariamente gélidos.
Cause, you know some day, man, you gotta stand up straight
Unless you're gonna fall
Then you're gonna die...
Uma alegoria com um certo peso
Like Pound´s Pounding in my head.
Fogo verde. Ardente.

Don´t you worry baby
Thats just my Jelly Row soul
(Charley Patton running trough my veins)

Colo (um outro final possível)

Foram-se as camélias
Voltaram-se os lilases
E agora é preciso navegar de novo.
Não é sólido, é frágil
Pois tudo o que é vivaz sente.
Não é frágil, suporta,
Não importa.
Pra mim nunca tá bom.

No meio da terra pisada
Nasceu uma florzinha azul

Epílogo (prólogo)

Acorda e olha a luz azul pela janela
         do quarto ou do ônibus
A vida na pele
Cai o mito.
riverun por todas as margens da palavra
         o rio humano,
É preciso estar vivo para continuar a
         escrever a história.

Odisseu, tu que deita agora em minha
         frente, tu que a muito vislumbro
         sem a coragem de ver, que aparece
         sempre decaído, morto, cortado,
         teu cadáver finalmente aparece para
         mim nu, teu agigantado corpo
         mutilado pelo tempo, gigante de
         sangue e palavra, eu preciso
         comer a sua carne.

Então engoli tendão, músculo, verbo,
         sentimento e enigma.
Comi a sua carne Odisseu, e fui
         fecundado com a sua palavra,
Segue o mito.

(Finn again awake)

Vida na pele,
riverun por todas as margens do mundo
       o meu rio, apesar dos solavancos,
É preciso estar vivo para continuar a escrever a história


                                 
                           (Algum dia eu vou pegar a vida pelos braços
                                                              e coloca-la no meu livro)

Moedas azuis

E ai cara, como anda o cadáver que você
                 plantou no seu jardim inverno
                 passado? Floresceu?
Acho que vou
Chorar um rio de lagrimas
Para depois mijar em cima
Ou jogar moedas azuis contra
Uma parede vermelha para ver se as
Horas passam mais depressa...

Velado por tudo que há de
Crepuscular e úmido;
Embebido em uma névoa azul e
Uma claridade gasosa:

– Abaixo da noite
Amanheceu o mar –

O cinza das geleiras se pintou de rosa;

Lacrai os seios, donzelas,
Dilacerai as túnicas

Urubus cor de rosa

Na avenida o ronco dos automóveis
Turvava as nuvens e
Gotejava
Podridão.
Então a angustia se calou, secreta
Lá no lago do peito onde emergiu
A noite inquieta que me possuiu
Senti o peso dos meus pés
Presos ao pó do meu pavor.
Que o diga o homem de açúcar
Que se esfarelou no teto.
Como esse triste vapor azulado
Que paira luminoso sobre nós,
A vida é só uma sombra móvel.

Os urubus sonham com auroras
                                          (Róseas)                                                  

Frei Galvão

Queria que agua ainda refluísse pelas
            Minhas orelhas.
Se pudesse penduraria cidades coloridas
            Nas suas paredes, para elas brilharem
            Por horas efêmeras nas suas paredes
            Minhas cidades coloridas nas suas
            Paredes.
Zocchio pegou uma cerveja matinal.
Chegamos ontem a noite após horas de
            Ansiedade em um ônibus com direito
            A se umedecer de desolação e parar
            Para fumar um baseado no posto de
            Gasolina.
Com as horas a fumaça refluía pela casa
             De forma azulada.
Você voou para longe de forma azulada...
Os nervos se condensam no vácuo
Coagulando palavras.
Nuvens como pétalas no céu

Olhando as fotos todos nós parecíamos felizes.

Nenhum teto
Protege o navegante ao mar entregue

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Os eventos se sucediam em uma névoa densa
Tentando em vão beber o liquido da luz.
Nenhum céu nunca me consola.
Acho que vou aos poucos deslizando para fora...
Escorrendo pelas cidades coloridas, elas se foram.
Passamos o entardecer em uma guerra de laranjas alucinada,
         Correndo pelo pomar e sorrindo; eu, Tom, Theo e Diogo
         Contra Zocchio, Bento e João Justo, malucos correndo
         Em uma guerra de laranjas alucinada.
Poderíamos simplesmente desistir de tudo e ir fazer uma eterna
          Guerra de laranjas alucinada na lua.
Arvores de metal diluindo o sol
Você realmente foi embora?
A casa gigantesca engolia nossos balbucios e nossa fumaça
Maluco esse banheiro colorido, eu poderia ficar aqui trancado enlouquecendo
            Ouvindo Lou Reed para sempre

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PASTO                   AZUL
VERDE                       SOL


CERCA                ESTRADA
NUVEM                      BOI

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The blue sky above us
The yellow house under the sun.
Love is gone
Dream is wrong
And no one have time for our idiosyncratic aesthetic ideals

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Uma rosa suspensa
Sob dedilhados de violão
No quintal atras da cozinha.
Janelas verdes na casa colonial amarela.
O céu sem nuvens
Estupidamente azul de
Uma tristeza enlouquecida.
Esmalte vermelho
Recobrindo a superfície
Da nossa beleza.
Sonolento dia se transcorre
No interior paulista.
Esmalte vermelho escorre
Dos meus olhos de saudade:
Você
Uma rosa vermelha
Pintada de esmalte amarelo
Rodopiando através do céu.

Galinhas ciscam
Pelo pomar de laranjeiras

Meus tristes submarinos

Nossa, que dentadas tão pragmáticas.
Por acaso se esqueceu do que tem
Dentro e é feito de carne?
Como se no oficio de cada dia
Tenha se esquecido daquilo que é tão íntimo
E não se dobra aos dias.
Por acaso costuraram seringas nas suas lagrimas?
Por acaso seu sangue coagulou por detrás da
                      Sua mandíbula de cadeado?
Falar muito de si pode ser uma forma de se esconder
E eu sou e me tornei
A hipérbole dos meus medos.
E heis me perdido pelas escalas dos meus dias.
Heis me triste.
Heis me vivo.

Serious now,
Please don’t go away
Don’t get strained by my strain
Don’t get upset because I’m not heroic
Don’t fight my idiosyncratic reaction to pain
Say: "Oh baby, I wish I had some morphine to give you"

O que não se dobra.
Que aguarda a tristeza olhando pela janela.
Que se embebeda de melancolia na tarde fria do fim de maio.
O malicioso sorriso careta não esconde
O que está dilacerado
E sangra.
Acho que estou com um nó no peito
Ou apenas machucado.
Submarinos dos meus sentimentos nadam no céu de sabão.

Dont waste your time in saying
Dont waste your time in looking
For sorrow

Relativos nos engolimos como sopa


Ensolarado

O sol sangrava lentamente a cidade
                                Em amarelo
Como pinceladas brancas aquarelando
            O céu poroso e esfarelado
                                              De outono.
Curioso como o tempo passa e nosso
            Estoicismo se esgota embora
            Nossos vícios permaneçam.
Curioso o que passa e o que permanece...
Ainda assim existem pequenas alegrias
             Como caminhar por pinheiros de
             Manha para comprar limões ou cortar
             O cabelo ou imprimir antigas cópias de
             Vestibular para estudo
Pinheiros é um bairro azul e amarelo.
                                         Amarelo e
                                      Azul.
As palavras tem um som engraçado...
Essa cidade é uma grande maluquice.
Passam os anos e passou o primeiro amor
             E passou o segundo amor e talvez
             Eu esteja apaixonado..
Não.
Eu estou apaixonado.
Não consigo levar as coisas de um jeito mais leve,
              Não consigo me interessar por ideologias,
              Noticias, fotos, fatos, política..
Meus pés de girassol murcharam mas
                                  Eu estou aprendendo
                                           A nadar nas piscinas de
                                                                  Geléia.
Eu estou aprendendo a voar
Caso não naufrague.
Eu estou aprendendo a dançar como os homens
                Estilhaçados com olhos de margarida
Flores de areia se contorcem através dos prédios
O sangue amarelo escorre pelas avenidas e as
                 Engrenagens de borracha desistiram
                 De girar para sair voando até Saturno.
Eu estou apaixonado.
Derrete sobre mim a cidade de manteiga
Chovem grossas gotas de
                                           Graxa.
Os sertões paulistas seguem o seu pulsar

O menino se desfaz em nuvens.

Entre o chão e o vento



A sina perpetua sob o marasmo

Também eu saio a revelia
E procuro alguma síntese
Nas demoras.
Qualquer amparo sob o liquido.
Eu queria mastigar com as
Retinas
Todos os cacos de poemas quebrados
Dessa vida.
E essa sufocante sede
Imobilizada na espera?
Eu quero escrever poemas sobre essa espera..

A vida trai a ideia
Na medida do sangue.

Esferas concêntricas
Explodem sonoras no céu de cubos,
Jardins de impulso no meu sertão,
Inflorescencias de carniça

Algo sobre a dualidade humana;

Eu ainda não posso acreditar na vida    



O que ainda me diz a serra

O que ainda me dizem as araucárias?

O que antes era vivo hoje é tremulo.
Como posso erguer-me em cálido próprio
Quando o dia no céu assim como tudo no peito
Está inexoravelmente morto?
Pelas colinas ecoam as vibrações de vivacidade
Tão inalcançáveis quanto apaixonar-se
Ou ir embora...

O que ainda me grita a vida?
O que é a vida?
Como cabe a ela ser própria a algo
Da qual não foi chamada?
Como cabe a mim ser próprio a
Algo que não me pertence?

O verde ainda uiva
Nos pastos, embora opaco..

E o que me diz o azul
Sobre os sonhos diluídos em instantes
Que gotejam na chuva?
Id e Superego se esfaqueiam de forma enfática
Como dois doutores parnasianos
No pico da consolação.

A vida é boa mas ela é só a cara
E a coroa é o vazio.
O que resta para além do chumbo
É a vontade de potência
Carcomida
Pelo medo (estou com medo)...

Anel de plástico roxo
E eu sei que sou apenas
Diluvio ou morto de sede.
Fagulha inerte ou molécula triste ou
Montanha solitária de martírio
Abaixo do mar dos céus.
Eu sempre gostei de poemas de
Versos longos e lentos sobre a morte...

A inquietação gritava por mim;
A poesia se tornou estagnada
Assim como a vivacidade que me caracterizava
Como um movimento agitado.
A sombra era tremula mas ela tinha vozes.

Estou triste.

O que me dizem as araucárias?
Que o mundo é fluxo sem leito
E só no oco do meu peito
Corre um rio

Eu quero aprender a amar esse rio...

Inconfessável

Passo de palavra em palavra quase como correndo. Não sei em qual direção. Palavras que retornarão eternamente e por isso devem ser pensadas da forma mais azul possível. O azul é impossível, clamo por finalmente me confessar acima de qualquer efêmero. Sou impossível. Impossível de fazer-me, de realizar-me, de encerrar-me como única consequência. Nem passado nem futuro mas no que há entre eles, no corpo. Não tenho corpo, tenho carne. Carne mutilada pelo tempo, ossos quebrados e nacos de carniça que eu nem sei como me ocorreram. Eu atravesso sozinho com muletas esse oceano de açúcar. Cachoeiras de palavras rompem o dique do silencio, sempre o silencio, perseguindo o silencio, fugindo do silencio, sendo o silencio. Mas não conheço o silencio por traz das palavras. Heis as nossas únicas certezas, linguagem e tempo. Heis as maiores mentiras: linguagem e tempo. Conclui-se que a existência é mentirosa e eu, portanto, impossível. Eu impossível. Invencível. A passadas gigantescas. A maldita vontade de potência jogando na minha cara tudo o que eu sinto contra tudo que eu acredito. Talvez essa seja a minha vivacidade. Invencível. Frágil como um navio de vidro. Sozinho. Invencível. Que cada qual seja cálido ao seu martírio, ninguém será capaz de entender toda a perdição que cabe no meu peito. Dizem que isso é inquietação. Todos queremos dominar o mundo, talvez seja algo que venha embutido no parto. Mas faz-se impossível ser. A linha não mais existe, fragmentada, nunca existiu, apenas cachoeiras de palavras, cíclicas, redondas, invertidas, torna-se impossível. E essa fragilidade fetal, essa ausência de pele e amparo, essa nudez, essa nudez solitária, essa nudez solipsista, acho que no final sempre fui eu sozinho nesse quarto nu – as paredes não conseguem respirar – A vida, parece, tornou-se inacessível. Só nos resta escorrermos por nossos cus em alguma manhã cinzenta, após o café. A realidade é uma moeda de cara e coroa. Meus olhos pregados choram. Acho que eles nunca pararam de chorar. E sentir que as vezes a vida parece escorrer pelos nossos dedos. Tudo o que foi está para traz. Ou em cima. Ou em baixo. Do lado. Ao lado luzes difusas machucam o olho, as palavras nunca param, é bom se acostumar com isso. Dizem que é bom se acostumar. Se acostumar com tudo o que é impossível, irracionável, inominável, indizível, extasiante, indiferente ou enlouquecedoramente triste. Se acostume ao oceano de açúcar – inquieto – não subestime o eterno retorno ou seja um instante é igual a eternidade ou seja nunca se esqueça de olhar para alguma parte bem azul do céu no momento mais triste do seu dia. Eu quem? Eu onde? Eu quando? e acima de tudo Eu como? E porquê? A vida e o seu instinto nato e inato de buscar com uma sede naufraga todos os destinos e inexoráveis e o sol de cristal. Invencível. E transversal. Subterfúgios. Inventar as cores do girassol. Inventar a vida! É preciso inventar a vida! É preciso reinventar urgentemente a vida!! Mas nada diz nada sobre nada, as palavras continuam. Sempre palavras, parece que bem quando a gente se acostuma tudo começa a dar violentamente errado. Somos alheios a nossas vidas como um seringa descartável ou um vaso de carne ou uma nuvem de chuva. Mas continuo indizível. Continuo inconfessado. Continuo impossível. Talvez eu só confirme um velho estado das coisas.  Talvez eles apenas não gostem de mim. Talvez eu mesmo não goste de mim. Ou talvez goste. Caminhe em frente até que se esgotem as garrafas de eletricidade! Mas em frente onde? Me anulo de frase em frase ou com o passar do tempo. Me anulando me confirmo. A incerteza me faz eu. Eu não sou eu. Eu sou. Não sou. Sou. Não sou. Não sei de que fardo fui incumbido mas nota se que eu não o carreguei com êxito. Nunca me explicaram o que era esperado de mim mas eu decepcionei a todos, decepcionei a todos. Não consegui fazer o que queriam que eu fizesse, nem o que eu desejava fazer e nem desejar nada em nenhuma instancia. Também não consegui entender. Fiz-me impossível. Indizível. Eu não vou desistir. Eu vou continuar. Eu não posso continuar. Eu vou ser esse furacão verbal e tudo mais que couber no peito. Eu vou ser. Chorar.

Eu vou inventar a vida                                                              
                                 


Ou nem isso



Literário como acima
Ou nem isso
Um jovem de cigarro na boca que não passou
          Na faculdade e vai tentar a sorte no mar
Superficialidade cotidiana e um gosto amargo de café
Cena de adolescentes de classe média alta e uma pinta
           De alternativos, alguma náusea
Algo escrito em cimento ou papel
Vestibular
Sair de casa
Sou eu o eterno prosaico transcendental
A trabalho a ser feito, vida pela frente

Inconstante como acima
Ou nem isso
Isolado preso dentro dessa dura caixa de ossos
Do crânio
Sozinho

Fui condenado a nascer sem saber morrer
{você pra mim é problema seu}
                          
                                                   


Bolor


Havia algo de inanimado
Na carne. Do céu sobraram
Escombros e uma pasta fétida
De chumbo e urânio.
Um grito entalado em uma colina
De bolor. Silencio.
Como se de repente
Tudo estivesse morrendo e
Fosse difícil de fazer
Nascer.
Estrangeiros acendem seus cigarros
Na cozinha e
Os hipopótamos injetam cachaça e morfina
Nos cus dos ornitorrincos
De madrugada.
Laminas perfuram o tecido da noite
E os macacos usavam drogas
Em uma sapiência ambígua.
A lua
Flamejava queimando nos cachimbos
Rostos hesitantes cortavam e colocavam no congelador
Pedaços uniforme e sangrentos da carne
De Deus. O vazio carcomia nossos dias.
O naufrágio me ensinou
A ver. Polimorfos simbólicos dos
Dias costurados.
Mascaras de fórmica embalam
A nossa diabólica orgia autocensurada.
O vazio virou chumbo
E o escombro inanimado.
Suportar cada gole de bolor
Para poder vomitar o tecido da noite
Ejaculando delirante nas cachoeiras de carniça
Ao amanhecer.


Lascas de opala atravessando glicerina



            Os manequins de mármore fitavam a chuva de agulhas no céu branco e pastoso daquele aeroporto distante. O garoto com olhos de ressaca passeia leve entre os manequins e as agulhas e sangra a sua medula psíquica e cai no chão como um invólucro de osso murchos. Em seus olhos as chamas escorriam em riachos gélidos.
           (Imagens caem como opalas no céu de glicerina)
           A inquietude solipsista impele o sujeito ao longo da experiência... a garota de parafina deitada sobre a grande cama de ferro... trens passam zunindo através de planícies de eletricidade... um rio rançoso de esperma onde nadam serpentes lesmolisas... arvores coloridas ateadas a fumaça... o sereno inconsciente – bolsão de intensidade ectoplasmatica – do lascivo frenético... céus preguiçosos deitados em nuvens sólidas como plástico... a lagrima do sol gotejando sobre uma cordilheira de gotas de sal... o tempo voa como uma máquina de escrever quebrada...
             (Cacos de imagem desabam lentos, como lascas de opala atravessando glicerina)                                                                                                                                                          Uma orgia juvenil de inocência, todos se fodem e se chupam e assopram fumaça de cachimbos de haxixe em suas respectivas genitais rosadas.
              Na praia esfarelada e branca só havia um velho esquelético com seu sobretudo negro e uma jovem garota nua. Ventava. Desolação. O velho junkie encapuzado oferece as pílulas de realidade e uma seringa cheia de morfina para a menina nua com olhos de oceano. "Pegue, isso não lhe custará nada além de tempo" "Tempo?.." "Sim, mas não é nada de mais, apenas uns cinco minutinhos agora, uma hora depois, cinco dias ou dois anos quem sabe, não precisa entender agora"
               "Ta.."
               (O sangue da infância brota no conta gotas como uma flor chinesa flutuando em um oceano de morfina)
                Extensas estruturas metálicas bebem o céu em goles... navalhas cronológicas dilaceram  símbolos... rochedos relampejam de agitação e angustia... uma pedra em um rio profundo e pardacento onde mora o âmago do medo... nuvens de ópio conduzem o imaginário através das navalhas... uma boceta metafísica gigante com dentes que suga as estrelas do céu de gelo... caralho duros e palpitantes gozando a pulsão de vida no interior de bocetas úmidas e adocicadas... um luar de olhos sobre a cidade... a teia fétida do espectro enrabando o seu reflexo no espelho... o mundo de imagens se esfumaça e segue como uma nuvem abstrata em direção a eternidade...
                 É preciso ser iconoclasta para com seus próprios deuss.
                 É preciso ser amoral.
                 Nada é preciso pois tudo é, heis os fatos.
                 (Viver é perigoso)
                 Ele caminha pela rua em um dia chuvoso. O céu estava branco e pastoso e choviam agulhas que atravessavam os medos nas nuvens de glicerina. Ele se encontra com o velho encapuzado e tenta em vão jogar as suas cores para o vazio. O velho o encara no fundo da medula como uma estátua de parafina e em seus olhos um violento rio gélido e voluptuoso escorre de suas pupilas afiadas como agulhas.
                 O minerador de ilusões contempla todas as suas rochas coloridas. Narrativas se estendem como figuras em exibição. Sonhos evaporam da mina melancólica. O menino contempla o jovem homem nu a caminhar por certezas invisíveis e translúcidas e começa a chorar. O menino chora e o tempo voa como lascas de opala atravessando glicerina. O jovem homem cai na lagoa de sangue com o céu de espelhos. O minerador de ilusões ascende um baseado.
                  Depois de transarem cada gota de suas ansiedades os jovens nus de corpo róseo se jogam no fogo ardente de suas pulsões e suas carnes se dilaceram na frenética chama ardente da volúpia.
                  Uma donzela de vidro se deita no céu.
                  Lagoas de óleo incendeiam céus de gasolina.
             
                 (Verdadeiras visões e verdadeiras prisões)
                 Alegorias não passam de alface
                 Não escondam a loucura.

       

Suturas

 Uma sobriedade suturada ao lábio
Costurou os dias como uma agulha ensanguentada.
Para além disso eu ri,
Entorpecido e ululante a flutuar sobre as nuvens de óleo no céu de plástico.
Para além disso eu senti
Senti na pele o incendiar dos mundos
E sangrei na carne cada efêmero
Que se
Fez
Sublime.
Os navios de aço tilintante pelos entardeceres em
Verso.
Os versos da prosa de um dia depois do outro
Fizeram-se coloridos e por um instante cálido
Eu
Quis ser a vida em todos os seus âmbitos e azuis.
Quiçá leve como chumbo
Ou nem sei,
Para entardecer faz-se necessário
Primeiramente morrer um dia embriagado
Ou viver sendo cálido a lagrima suturada ao céu
Pelo fio do verbo
Errante...

O céu que nos protege


Assistimos pacientemente ao concerto
Enquanto nossos dedos se esfumaçavam em fuligem
                                                               Como bitucas
E as cobras irrequietas nos nossos músculos
Dançavam com os nossos
                               Muros e nossos instintos.
Serpentes sonoras e cigarros
Venenos engarrafados em doses,
Eu os trago em tristes goles náufragos
Parado a contemplar os trilhos de trens amarelados
Das promessas que um dia você alugou para mim.
No tumulo estava escrito:
“Cometeram o erro fatal de ignorar
                                               O tempo.
Um ano
                Poderia ser como todos os outros e, eventualmente,
Tudo poderia acontecer”
E nós já caminhamos por esses cemitérios tristes
Lembra-se?
Quando as flores dos nossos cigarros desabrochavam
Em uma tarde planificada e opaca de cheiro
                                                               Purpúreo.
Eu já gotejei pelas curvas macias do seu corpo teso,
Cálido a revolta que me assaltava, delirante
E vi as estrelas como inflorescências em chamas no céu pulsante de um tambor
Agora não mais importa:
Eu estou parado aqui assoprando o meu trompete
Nas ruínas da ferrovia amarelada que você prometeu pra mim
E o céu {olhe para o céu}, Ele está sólido,
Como se nos protegesse do que está atrás
“– E o que está atrás?
   – Nada, apenas a noite”















Pós-estética


          Meu corpo nu no meu quarto, acendendo um cachimbo
de erva, Ornette Coleman - The shape of jazz to come martelando
o êxtase,
         Existe o lirismo em ritmo antigo e há o lirismo frenético – este,
merecedor de toda a atenção,
          O corpo cego se esvai pelas ruas cinematografias em fumaça
e preto e branco, a garota estilhaçada como vidro de palavras, entre
a paralisia e o gesto mecânico,
           Enveredar por tardes ocas, entre caráter e destino,
           Aleatório;
           De resto nada diz de mim quem sou, deste ensombrecer
que importa, novas tentativas por exterior completamente normal
(?),
           A linguagem superada pela ótica do grito, a fumaça que
mergulha nas estruturas cronológicas de concreto,
           É preciso projetar si mesmo feliz, do centro da terra até
as figuras em exibição, deste viver subterrâneo e a tristeza,
           Jazz é volúpia, Thats how I feel, Hiperativo pulso magnético
ecoando por galerias de hábitos e cigarros apagados,
A pós imagem (não é movimento estético, nem movimento.
           Nuvens de lagrimas
e o tempo é vazio,
           Tudo permanece no curso natural do mundo:



            Meu querer segue a deriva.