quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Nuvens de tinta

As canetas caíram no chão,
Esmagadas, pedaços de plástico duro
E tinta preta.
Inês de Castro assassinada.
(Sugar clouds above us).
E ela parou e olhou  por alguns minutos
             para a janela branca, seu corpo
             feito de coral, sua pele a fluir como agua,
             em silencio.
Sabe, para mim não foi fácil encontra-lo
             bêbado na praça, era madrugada
             e os cadáveres estavam plantados
             defronte as portas escuras.
Meu inconsciente como um Michel Poiccard
              caricato e tosco a me pregar peças.
Discurso é fabula na medida em que é narrativa.

A vida como literatura.
Poesia enquanto tinta.

A Cartago então cheguei
                                     (Queimando queimando queimando)

Desde quando me tornei menos homem do que caos?