Surge no céu a Aurora de róseos dedos.
O que antes era chão hoje é mar e é preciso ir além,
Muito além;
Além do mar violáceo de ondas verdes,
Além da espuma branca, dos corais rosas
e das tristes flores de água.
Moscas zunem nos meus órgãos, formigas
rastejam embaixo da minha pele e as
cobras irrequietas deslizam lentamente
pelos meus músculos.
Mas para além do medo se fez manhã
E o amanhecer cuspia a vida em uma
vivacidade assustadora.
O fogo, sempre.
E a minha incredulidade através do mar vinhoso.
As manhãs consomem e geram os dias.
O fogo, sempre. A vida também.
Amanhã talvez.
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