Indiferente as nuvens
Eu acordo todos os dias só para trabalhar no laboratório.
É claro, os outros trabalham muito mais.
Mas eles trabalham e voltam para casa e assistem
televisão ou se divertem felizes com as coxas de
suas mulheres.
Eles jogam baralho e se interessam por aviões.
Eu vivo para o laboratório.
De alguma forma sou ele, com todos os seus líquidos e frascos.
Os outros me perguntam:
"O que você tanto faz?" e eu não sei.
Eu não escolhi estar aqui.
Eu nem sei se gosto.
Ele me ajuda mais do que o mundo, isso é claro.
Por isso eu me tranco aqui.
As noites eu bebo.
Danço eufórico entre os meus conta gotas e os meus tubos de ensaio.
Pela manha acordo.
Indiferente as nuvens,
Entre os vidros coloridos dos mundos das ideias.
(Algum dia eu ainda vou transformar sangue em ouro)
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