quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

De Lisboa ao Porto

A sombra se esfumaça abaixo das oliveiras;
         resta a penumbra.
Eu não consigo fugir de mim mesmo.
Eu não consigo fugir de mim mesmo.
Eu não sei escapar.
Os Jeronimos enlouqueceram novamente,
Acho que eles nunca estiveram exatamente calmos.
Lagartosas ruas de Lisboa.
Espuma verde banha os mariscos nas rochas,
          próximo de onde o Tejo encontra o mar.
Limoeiros crescem nas encostas cinzolivas
          e nos quintais mal cuidados na beira das
          estradas.
Eu não consigo me vencer.
Inês está morta. Morta.
Não há nada que ninguém possa fazer.
O gás da mente flui sobre as antigas ruas de Coimbra a noite,
           estreitas, come lulas assadas no espeto, bebe vinho.
O gás da mente, triste, trôpego a murmurar Ovídio
(Trôpego a murmurar Ovídio...).
E o rio Douro ao longe, espesso como tinta.
Cai o muro, o que resta é pó sobre escombro
"Nec spe nec metu"

              O que você acha que eu veria se conseguisse correr
                                                                                       para longe de mim?

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