sábado, 29 de setembro de 2018

O sol, o quarto e a noite

                            Para Julia, com muito amor.


Acordamos tarde, como sempre.
Deviam ser por volta das duas.
O dia estava claro e amplo,
O céu estava azul e a casa de
paredes grandes abraçava o quarto.
Esfregávamos nossos olhos:
Estávamos famintos.

Haviam cores belas e violentas a serem descobertas.
O dia estava imenso e a vida era gigantesca.
Nós éramos gigantescos.
Eu sentia um vento imenso
a me soprar no peito, você ainda estava calma.

Havia algo errado.
Subitamente, de um momento para o outro
pareceu que o tempo havia passado e pareceu
que a vida não era gigante, ela era pequena
e só existia em quartos, copos,
livros, situações.

E nós chorávamos pois o tempo havia passado
e nós sabíamos que os dias daqueles que se amaram
nunca poderiam se repetir sob a terra,
o que havia acontecido estava para sempre acontecido.

O que se faz por amor está para além do bem e do mal.

Anoiteceu, e a casa agigantada se tornou fria:
O dia havia passado pela janela.

Julia, eu te amo.

Talvez nada esteja errado.
Mas e se novamente amanhecer
e nós ficarmos com medo da vida ser pequena?

Eu te amo.
Mas tem um vento soprando no meu peito.
Eu preciso descobrir se o mundo é grande:

Eu preciso descobrir se eu sou a minha solidão.





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