caminhava pesado
e o sol, turvo,
não conseguia apagar a sombra
que em voo silente me perseguia.
nada é apenas se torna
e é o próprio movimento de tornar-se
em um interno e constante devir.
o amarelo no frio se torna azul
e as coisas se tornam tangíveis, ainda que obliquas.
as flores existem. a rua existe.
o outro existe.
olhava para as coisas e esperava que elas,
familiares, me respondessem.
mas a sombra me dilacerava
e divorciado eu seguia doendo.
o bar. o mercado. a padaria.
as pessoas, hora metálicas, hora lamacentas.
as flores purpuras do inverno.
(a nuvem não existe)
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